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12/04/2012
Livros

"Uma borboleta branca passou perto da sua face, ondulante, alheia à proximidade da asa com a pele. Foi poisar desinteressadamente em cima de um ramo de lilás e ali ficou, em bicos, uma pata minúscula no ar, outra a balouçar suave, pronta para o outro voo, assim que o vento lhe tocasse como um toque de seda, não a obrigá-la a despedir-se da flor, mas a convidá-la a planar no vento. Do canto do olho, Mário viu milhares de folhas minúsculas, batidas pela luz da tarde, que tremelicavam como vozes de senhora em animada conversa.

Conseguiu ouvi-las, por momentos esquecido do seu coração doente, da velhice que sentia chegar precoce, do desinteresse pelas coisas da vida que o forçava a ficar na cama, todas as manhãs, durante horas, a olhar as imperfeições da tinta no tecto, sem forças para se levantar.

Os cabelos sentiam a proximidade da almofada, as vozes das pessoas na rua ecoavam ao longe como sussurros de um rádio que alguém se esqueceu de desligar. Não queria mexer-se. Talvez estivesse ainda a dormir, apagado. Um imperceptível movimento do seu corpo podia traí-lo e trazê-lo de volta à realidade. Depois teria de a enfrentar. Olharia as molduras de fotografias do seu quarto despido de calor e choraria durante horas, agarrado ao ventre, a barba por fazer, as dores nos músculos, a roupa desalinhada pelo quarto. Se pudesse dormia vestido, adormecido a ferros por sedativos miraculosos. Obrigava-se a cumprir a higiene básica, como um autómato, só para não perder o fio que o ligava à sociedade e à vida.

Espetou um garfo num pedaço de bolo que lhe soube a verniz. Tudo lhe sabia a verniz. Até os odores da vida, usualmente pacificadores, as flores da vizinha, o parque que se estendia defronte à sua casa, as chaminés matutinas a largar vapores de pão quente e café, tinham-se transformado num cheiro indistinto a coisa alguma, de vez em quando acre, como se, agora, tudo lhe cheirasse ao pior da Terra".

 

Excerto de "A Ribeira dos Milagres", por Denisa Sousa.



publicado por projectcyrano às 14:34
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1 comentário:
De sonia sousa a 17 de Abril de 2012 às 16:08
lindo -adorei o que li


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